Out 15 15 - Sustentavel 2015

7º Sustentável 2015 aborda mitigação de impactos ambientais no Brasil e no mundo

A Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo – ARISP – participou do “7º Congresso Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável 2015”, realizado pelo Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), nesta quinta-feira, 8, no auditório do Ibirapuera, em São Paulo.

O centro das discussões foram os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS) e o grande acordo global que é a Conferência de Clima de Paris (COP 21). A conferência contou, também, com painéis que levantaram questões específicas sobre os variados modelos de educação sustentável e o compromisso do setor empresarial com os objetivos da sociedade. Com mais de 800 pessoas presentes no auditório, o público e os palestrantes interrogaram:  afinal, o futuro é agora?

Quem abriu o primeiro painel foi a diretora do movimento Rio Como Vamos, Thereza Lobo, que dividiu a mesa redonda com o coordenador-geral do Desenvolvimento Sustentável do Ministério das Relações Exteriores, Marcelo Martinez; o professor sênior do Instituto de Energia e Ambiente da USP, José Eli da Veiga; a vice-presidente de Relações Corporativas da Coca-Cola do Brasil, Claudia Lorenzo; e a gerente de Projetos e Conteúdo do CEBDS, Ana Carolina Avzaradel Szklo.

O tema discorreu sobre os “Objetivos do Desenvolvimento Sustentável: A Nova Agenda Começa Agora”, que relacionou diversas empresas no processo de desenvolvimento sustentável da sociedade. Os participantes relataram no que as companhias podem ajudar com a inovação, a tecnologia e as soluções de negócios para uma indústria mais verde e eficaz na emissão de gás carbônico.

Claudia Lorenzo destacou que é de interesse das empresas um engajamento maior no meio social e ambiental. “A parte social e ambiental das empresas deve estar diretamente ligada aos interesses de lucratividade, para que haja engajamento no cumprimento das metas. Na Coca-Cola, nossas metas são todas norteadas pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) ”, concluiu.

“Todos nós estamos convencidos de que só será possível construir uma sociedade sustentável a partir de uma sólida e bem estruturada rede de parcerias, integrando governos, empresas, sociedade civil e instituições acadêmicas. Nesse contexto, a educação tem papel preponderante e estruturador, sendo fundamental para engajar e inspirar cidadãos na busca de soluções para os desafios ambientais, sociais e econômicos hoje enfrentados.”

Com isso, o segundo painel “O Papel Central da Educação para Sociedades Sustentáveis” – integrado pelo professor de direito da Fundação Getúlio Vargas, Daniel Vargas; a diretora da Fundação Victor Civita, Maggi Krause; o sócio-diretor da plataforma de ensino Geekie, André Barrence e o antropólogo e presidente do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento (CPCD) Tião Rocha – discorreu sobre a forma tradicional de ensino e a importância de uma abordagem mais revolucionária para a educação, permitindo a aquisição de conhecimentos, habilidades, atitudes e valores necessários à formação de um cidadão sustentável.

Aplaudido de pé por todos os presentes, Tião Rocha falou como é realizado seu trabalho com educação sustentável no Nordeste.

“É possível fazer educação embaixo de um pé de manga? A pergunta sempre foi se era possível fazer educação sem escola, sem prédio, sem estrutura física. E aprendemos que é possível sim, mas somente se tivermos bons educadores, por isso deixei de ser professor para virar educador. O professor é aquele que ensina, quem repassa a informação; educador é aquele que aprende, que constrói junto. A participação dos membros da comunidade é essencial nesse processo, não apenas como beneficiários, mas sujeitos e parceiros em todas as etapas. É isso que possibilita o enraizamento das propostas, a garantia de sustentabilidade ao longo do tempo, a apropriação de novos conhecimentos pelas comunidades-alvo, a geração de novas tecnologias e a formulação de indicadores de qualidade. Desta forma, a “sustentabilidade” é o que eu acredito que funciona nas quatro dimensões: compromisso ambiental, valores humanos e ambientais, satisfação econômica e ‘empodemento comunitário’ (uma tradução própria para ‘nós podemos’).”

“Os efeitos das crises da economia global, dos alimentos e da energia ainda estão sendo sentidos. As consequências da mudança do clima estão apenas começando. Sabemos, entretanto, que estes problemas não são acidentes da natureza ou resultados de um fenômeno fora de nosso controle. Temos know-how para enfrentar esses desafios, mas precisamos urgentemente de lideranças e ações conjuntas.” Entre os dias 30 de novembro e 11 de dezembro, Paris sediará o evento mais importante da agenda climática global deste ano, a COP 21, que tem como principal objetivo discutir o acordo global de mudança do clima, que deverá entrar em vigor em 2020.

Com o tema “O Novo Grande Acordo Global do Clima: Riscos e Oportunidades para o Brasil e suas Empresas”, o terceiro painel teve como mediadora a presidente do CEBDS, Marina Grossi, com a abordagem que “as corporações têm papel central pelo grande potencial de realizar diversas ações positivas em prol do combate e da mitigação de impactos ambientais. As empresas com visão de futuro são reconhecidas hoje como um dos principais agentes de transformação”.

O debate contou com a presença do presidente da Siemens do Brasil, Paulo Stark, que anunciou que a companhia tem metas de reduzir a emissão de carbono pela metade até 2020 e totalmente até 2030. O executivo afirmou ainda que a tecnologia não é empecilho para boas práticas sustentáveis. “A tecnologia existe e é acessível financeiramente; o problema, principalmente no Brasil, é que as empresas se sentem inseguras sobre investimentos com retorno acima de 30 meses, além de terem medo de mudanças em épocas de crise”, disse.

Já o presidente do We Mean Business, Nigel Topping, alegou que é hora de agir para a neutralização de emissão de gás carbônico no mundo todo, pois “não há escassez de recursos financeiros, o que existe são barreiras psicológicas que inibem as oportunidades”. O presidente reconhece que o Brasil tem potencial para liderar países em desenvolvimento no combate ao desmatamento, mas que a meta proposta de zerar o desflorestamento ilegal até 2030 “não é um objetivo ousado”. Além do mais, Topping lembra que o país se comprometeu efetivamente a restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares e restaurar, adicionalmente, 15 milhões de hectares em pastagens degradadas. Por isso, concluiu que “o Brasil pode guiar as nações subdesenvolvidas no aspecto ambiental, porque suas metas são mais ousadas do que a deles”, destacou.

Na seqüência, Peter White, diretor do World Business Council for Sustainable Development – WBCSD – organização pioneira nos anos 1980 por pensar em como o mundo poderia oferecer progresso e conforto,  preservando os recursos naturais e cultivando sociedades saudáveis -, admitiu que o Brasil assumiu um compromisso no processo do desenvolvimento sustentável a partir do momento que a presidenta Dilma Rousseff anunciou o percentual de diminuir a emissão de gases do efeito estufa em 43% até 2030. Com isso, o diretor afirmou que, uma vez estabelecido o acordo climático, as empresas brasileiras terão oportunidade de trabalhar para atingir os objetivos globais de redução de emissões de CO2.

“Ao contrário do que ocorreu na definição dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), estabelecidos pela ONU em 2000, as empresas estão mais envolvidas na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançados há duas semanas”, encerrou Peter White.

O último painel “Crescimento X Prosperidade: Novo Indicador Para Uma Nova Economia”, contou com a presença da gerente sênior do Climate Bonds Iniciative, Justine Bell; da diretora associada da Networks and Global Outreach, Maria Lettini; da superintendente de Sustentabilidade e Negócios Inclusivos – Itaú Unibanco, Denise Hills; do consultor sênior do – World Business Council for Sustainable Develepoment (WBCSD), Philippe Joubert; do colaborador do Sistema B Brasil, Tomás de Lara; e da diretora-executiva de Recursos Humanos, Saúde e Segurança, Sustentabilidade e Energia da Vale, Vânia Somavilla.

Justine Bell ponderou que os títulos verdes são a marca da responsabilidade de empresas que visam um futuro melhor para as próximas gerações no mundo. “Em 2013 os títulos verdes foram lançados no mercado e notamos uma diferença significativa na base de investidores. Não existe escassez de capital, mas existe uma transição notável de tipo de ações que os investidores buscam”, disse.

O modelo de desenvolvimento de Meio Ambiente e Sustentabilidade existente atualmente não consegue endereçar as questões climáticas, que o mundo enfrenta. Por isso é preciso adotar novas políticas que considerem como ativos os recursos naturais, com envolvimento efetivo dos principais setores da sociedade. Nesse sentido, o papel de todos é essencial para que este processo seja conduzido de forma efetiva. Com isso, deixamos para reflexão do “Congresso Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável 2015”, a frase de Peter White:

“No passado nós olhávamos apenas para o capital financeiro para avaliar o estado de uma sociedade ou de um país. Agora precisamos também olhar o capital natural e o capital social”.

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Fontes: Época, GHP Protocol – FGV e CEBDS – Sustentável 2015 Notícias. 

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