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Alta de juros afeta pouco o financiamento de imóveis

A elevação dos juros e a redução do limite do financiamento imobiliário pela Caixa Econômica Federal (CEF), acompanhados em grande parte pelos bancos privados e o Banco do Brasil, não devem ser vistos como um empecilho para a compra da casa própria.

Diante de um cenário que combina aumento do volume de imóveis encalhados e redução dos preços dos apartamentos, especialistas ouvidos pelo DCI afirmaram que o mutuário não deve hesitar em adquirir o bem, desde que a oportunidade caiba no bolso.

“O mercado, hoje, está interessante. As pessoas estão querendo vender. Tem muita oferta e pouca demanda, e quando isso acontece, a tendência é o preço cair”, avaliou o educador financeiro Edward Cláudio Júnior, diretor financeiro da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).

De acordo com o índice FipeZap Ampliado, o preço médio do metro quadrado de apartamentos prontos em 20 cidades brasileiras teve alta de 0,16% em maio em relação a abril, resultado abaixo da inflação (que acelerou 0,60% no período, na medição do IPCA-15) – ou seja, em termos reais, os preços tiveram uma retração de 0,44%.

Para Gilberto Braga, economista do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), diante do momento econômico vivido pelo País, a redução de 80% para 50% do limite de financiamento de imóveis usados no SFH – com valor de até R$ 750 mil – pode ser, inclusive, uma boa oportunidade para famílias deixarem o aluguel.

“Se a família conseguir juntar o sinal (entrada) de 50% exigido pela Caixa, o valor das parcelas do financiamento, em um prazo mais longo, podem ficar menor que o valor do aluguel”, observou.

A Caixa trabalha com taxa de balcão (para quem não tem relacionamento com o banco) de 9,45% ao ano e prazo máximo de 35 anos.

Braga disse que, embora a tendência seja de novas quedas nos preços e aumento do estoque de imóveis, dependendo da região do apartamento o momento é ainda mais propício para a compra.

“O movimento não é linear. Em regiões mais visadas, o metro quadrado não terá queda de preço e pode até sofrer valorização. Então, com uma boa oportunidade em vista e um orçamento adequado, já se pode começar o financiamento”, avaliou o economista.

Novos x usados

Dados da Secovi-SP, o sindicato do mercado imobiliário, apontam que o número de imóveis novos encalhados subiu 18,54% entre dezembro de 2013 e março deste ano, para 43.768 unidades.

Cláudio Júnior disse que é essencial que fazer uma boa pesquisa antes de comprar o bem, lembrando que nem sempre imóveis usados terão melhores custos-benefícios ou condições de financiamentos que os novos. “Hoje, na internet, já se consegue ter uma boa noção das condições.”

Braga apontou ainda que, embora a Caixa tenha reduzido o limite de financiamento de imóveis usados, os imóveis novos continuaram com teto de 80%. “O que pode ser uma vantagem”, avaliou.

Além disso, apesar de terem encarecido o crédito – aumentando os juros – os bancos privados mantiveram as condições de financiamento para imóveis novos e usados, o que abre espaço para eles crescerem no crédito imobiliário, conforme lembraram os especialistas – até o final de 2014, a Caixa tinha 67,6% do mercado.

O Bradesco trabalha com juros médios de 9,8% ao ano, limite de financiamento de 80% e prazo de 30 anos. Santander e Banco do Brasil possuem juros de 10,1% mais a Taxa Referencial (TR) e 10,4% mais a TR, respectivamente, além de limite de 80% e prazo de 35 anos.

Em seu site, o Itaú informa uma taxa de 11,5%, limite de 75% do financiamento e prazo máximo de 30 anos.

Poupança x preços

Um relatório divulgado pela Fitch Ratings, na semana passada, aponta que a evasão de recursos da poupança – principal fonte do crédito imobiliário -, que registrou saída líquida (saques menos depósitos) de R$ 5,85 bilhões em abril, pode pressionar o preço dos imóveis ainda mais para baixo.

Segundo a agência, as mudanças nos compulsórios pelo Banco Central trarão alívio para o cenário, mas não irão reverter a tendência global.

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Fonte: DCI

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