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Alta em operações de crédito e empregos sinaliza retomada do setor imobiliário em Ribeirão Preto (SP)

Estoque de crédito para financiamento imobiliário cresceu 3,7% e setor abriu 842 vagas de emprego. Economista diz que, apesar de cenário positivo, recuperação depende de medidas, como ajuste fiscal.

O aumento das operações de crédito e da geração de empregos, apesar de ainda tímido, aponta que o mercado imobiliário está aquecido e voltou a crescer nos primeiros meses do ano em Ribeirão Preto (SP).

Dados da Fundação para Pesquisa e Desenvolvimento da Administração, Contabilidade e Economia (Fundace), mostram que o único setor com taxa positiva de crescimento entre janeiro e março foi o de financiamentos imobiliários: alta de 3,7%.

Ao mesmo tempo, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) sinaliza que o subsetor de serviços denominado “comércio e administração de imóveis, valores mobiliários e serviços técnicos” foi o que mais contratou até maio: 842 vagas abertas.

Para o economista Luciano Nakabashi, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA/USP) e pesquisador da Fundace, os resultados são positivos, mas a guinada econômica ainda depende de medidas, como o ajuste fiscal.

“O mercado imobiliário é mais consequência do que causa da recuperação econômica. Não é o setor que vai puxar o crescimento da economia. Em alguns momentos, ele pode até ajudar, mas ele é muito mais reflexo da economia do que um motor do crescimento.”

Nakabashi explica que a instabilidade do governo federal levou a uma paralisação na agenda de reformas. Aliado a isso, o cenário político indefinido com a aproximação das eleições dificulta o planejamento e o investimento do setor empresarial.

“A gente pode citar muitos casos de ineficiência econômica: o favorecimento de pessoas próximas ao governo, de empresas que não são competitivas, de um mercado que tem um custo muito alto em termos de burocracia, de infraestrutura, de mão de obra qualificada. Tudo isso são obstáculos ao crescimento da economia”, complementa.

Operações de crédito

Nakabashi é responsável pelo Centro de Pesquisa em Economia Regional (Ceper) da Fundace, que mensalmente divulga boletins sobre a economia local. O documento mais recente aponta queda na taxa de inadimplência, com destaque maior para pessoas jurídicas.

O professor explica que são justamente construtoras, incorporadoras e outras empresas que buscaram financiamentos e contribuíram para o resultado positivo nos primeiros três meses do ano. O estoque total em Ribeirão foi de R$ 4,6 bilhões concedidos.

“Acho que tiveram algumas empresas que voltaram a lançar mais empreendimentos, recentemente, esperando talvez uma retomada da economia a partir de 2018 e 2019. Isso puxou um pouco a questão do crédito, do financiamento”, explica.

O Ceper aponta ainda que a porcentagem de inadimplentes, ou seja, quem realizou algum tipo de empréstimo e não efetivou o pagamento nos últimos 90 dias, caiu em todas as classificações analisadas: total, pessoas físicas e jurídicas.

Ao mesmo tempo, houve uma redução na taxa de endividamento das famílias. O estoque de dívidas calculado em março, em relação à renda média em 12 meses, foi de 41,36%. Há três anos, no auge da crise econômica, esse índice passava de 46%.

“Acho que está retomando um pouco a situação do financiamento, que afeta o financiamento imobiliário. Agora está ficando positivo, mas ainda é um sinal muito tímido para falar em recuperação”, afirma.

Mais empregos

Dados do Caged do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) apontam que setor de serviços é o que mais tem contribuído para a retomada dos empregos em Ribeirão. Mas o mercado imobiliário, especificamente, foi o que mais contratou nos primeiros cinco meses.

Em comparação com o ano passado, o subsetor de “comércio e administração de imóveis” cresceu 360%: até maio foram geradas 842 vagas de trabalho, contra 183 no mesmo período de 2017. A maioria desses empregos está em construtoras e incorporadoras.

Nakabashi explica, porém, que economia e política instáveis não garantem crescimento em longo prazo. O professor cita que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,4% no primeiro trimestre, em relação aos três meses anteriores. No mesmo período, a construção civil retraiu 0,6%.

“Há um esforço de vendas que está sendo feito pelas imobiliárias, pelas incorporadoras. Isso pode ter puxado um pouco essa questão do emprego. Acho que estamos em uma incerteza muito grande e a retornada do setor vai depender da retornada da economia”, finaliza.

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