telhado verde 1

Compensação Ambiental e Decreto 55.994/15: jardins verticais e telhados verdes

A convite do Vereador Ricardo Young, Presidente da Comissão Extraordinária Permanente de Meio Ambiente da Câmara Municipal de São Paulo, a Gestora Ambiental Veridiana Aguiar, representou a Associação dos Registradores Imobiliários de São Paulo em reunião sobre “Compensação Ambiental e Decreto 55.994/15, que trata de jardins verticais e telhados verdes, com a presença de técnicos e especialistas no tema.

A mesa foi composta pelo Vereador Ricardo Young, Presidente da Comissão Extraordinária Permanente de Meio Ambiente, pelo Vice-Presidente, Vereador Paulo Fiorilo, Vereador Jonas Camisa Nova e Vereador Ricardo Nunes, seguidos por Maria Helena Moraes, SVMA – Câmara Técnica de Compensação Ambiental, Cláudia Vizoni, CADES Pinheiros, Paula Shinzato, FAU/USP e pelo Professor Ricardo Cardim, Mestre em Botânica pela USP. No auditório estavam presentes convidados e público.

Muitas dúvidas dos cidadãos paulistanos, representantes de condomínios e áreas verdes e dos próprios vereadores, sobre a implantação de jardins verticais e telhados verdes foram colocadas durante a reunião. Ainda não existem certezas sobre quem vai implantar e administrar as novas estruturas, que, ao que tudo indica, após os primeiros 6 meses recebendo manutenção da empresa responsável pelo contrato e instalação, a estrutura passa a ser mantida pela Prefeitura. É certo que a implantação destas novas áreas verdes poderá ser utilizada como forma de compensação ambiental e a instalação e manutenção poderá ser feita por empresas privadas.  Esta prática é comum e muitas empresas são responsáveis pela manutenção de praças, canteiros e outras áreas verdes da cidade.

Grande parte da população acredita que a prática deverá tomar o lugar da arborização urbana, tão necessária para São Paulo. Outros acreditam que o projeto é para poucos, pois a implantação de algo tão técnico será de alto investimento se comparado ao plantio de árvores nas calçadas, ou de compensação em áreas de APPs e Parques do município, mas a maior dúvida é quanto à eficácia do sistema vertical.

Um representante do Conselho Participativo de moradores do Minhocão, Artur Monteiro, pediu a palavra e disse, entre outras coisas, que segundo consulta realizada no SECOVI, a implantação de jardins verticais é uma alteração de fachada, portanto, será necessária uma convocação de reunião especial com 100% de participação dos condôminos e ata específica para alteração de fachada. Sem isso torna-se nula qualquer implantação de jardim vertical em um edifício. Segundo ele, os moradores são contra a implantação de um parque no Minhocão e/ou implantação de jardins verticais. “ Eles preferem a convivência com os automóveis”.

Ricardo Cardim, Professor de Botânica da USP, que trabalha em parceria com Paulo Saldiva, Médico Patologista, Professor Universitário e Pesquisador Brasileiro, que desenvolve pesquisas sobre a relação entre doenças pulmonares e poluição atmosférica, explicou os benefícios dos jardins verticais e telhados verdes. Segundo ele, os edifícios ocuparam o lugar de espécies nativas de Mata Atlântica e Cerrado, que podem voltar a existir, principalmente nos telhados das edificações, atraindo aves e outros disseminadores de sementes, devolvendo aos poucos para a cidade, espécies nativas desaparecidas. Além disso os telhados verdes e os jardins verticais ajudam na diminuição de ilhas de calor, reduzem a intensidade sonora e filtram partículas de poluição, propiciando mais umidade para o ar. Para ele, é necessário planejamento e execução técnica. Responsável por implantar muitas florestas em telhados paulistas, Cardim conta que os resultados “são fantásticos e de grande benefício para a população”.

Finalizando a reunião,Maria Helena Moraes – SVMA, que foi a mais questionada por todos, explicou que a arborização urbana e a compensação em áreas como APPs e Parques, por exemplo, não serão substituídas pelos jardins verticais e telhados verdes. Esta opção será somada às formas de compensação que já estão previstas nas leis ambientais vigentes. Falou também sobre as responsabilidades de manutenção, sobre a desistência e desinstalação da estrutura de jardim vertical, que também estará prevista no Decreto.

Novas reuniões serão marcadas para que possam chegar a conclusões sobre como implantar novas possibilidades de áreas verdes na cidade, sem ferir os princípios e valores da população, e principalmente, sem interferir negativamente com a arborização urbana – árvores no chão – tão importantes para São Paulo.

Ainda há muito para ser discutido e principalmente planejado.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *

Notícias Relacionadas



Copyrıght 2019 ARISP. All RIGHTS RESERVED.

Content
Seu e-mail foi cadastrado com sucesso!
Captcha obrigatório