Crédito começa a mostrar freio, mas imobiliário ainda sobe forte

Estoque total de operações sobe 0,6% em fevereiro; concessões no imobiliário para pessoa jurídica sobe 96,8%.

A escala da taxa básica de juros da economia e a escolha do governo de frear o aumento das concessões feitas pelos bancos públicos começam a ser refletidas nos números gerais do crédito. Em divulgação feita ontem, o Banco Central (BC) informou que o estoque total de crédito no Brasil subiu 0,6% em fevereiro ante janeiro, chegando a R$2,733 trilhões,ou 55,8% do Produto Interno Bruto (PIB).

Na modalidade crédito livre, o BC registrou um leve aumento, de 0,4%, nas concessões para pessoas jurídicas. Já para as pessoas físicas, a retração foi de 0,3%.

O spread – diferença entre o custo da captação do banco e o cobrado por ele ao tomador – no segmento de recursos livres foi de 19,7%, acima dos 18,9% vistos em janeiro. No crédito total, o spread subiu 0,4%, a 12,2% em fevereiro.

A taxa de juros cobradas pelas instituições financeiras subiram em fevereiro em relação a janeiro, mantendo a trajetória de encarecimento em meio ao ciclo de aperto monetário. No crédito total, os juros ficaram em 20,9%, alta de 2,4 ponto percentual desde o início da subida da taxa Selic, em abril do ano passado. É o maior patamar desde o primeiro semestre de 2012. No segmento de recursos livres, a taxa fechou fevereiro em 31,5%, superior aos 30,7% em janeiro.

De abril passado até agora, a Selic saiu da mínima histórica de 7,25 por cento ao ano para 10,75 por cento, com nova alta de 0,25 ponto percentual já precificada pelo mercado para a próxima semana, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC volta a se reunir.

A inadimplência manteve-se estável na comparação mensal. No segmento de recursos livres, os pagamentos em atraso ficaram em 4,8% em fevereiro, mesmo nível visto em janeiro. Considerando os recursos totais, incluindo o crédito direcionado, a inadimplência também ficou inalterada, em 3%.

O crédito direcionado engloba os recursos destinados a setores específicos. Dentro dele estão os recursos para o financiamento de imóveis. Em fevereiro, o crédito concedido às pessoas físicas subiu 8,2%, chegando a R$ 10,3 bilhões.

No caso do crédito para a compra de imóveis realizada por pessoas jurídicas, a alta foi bem maior. De um mês para o outro, o volume financiado saltou 96,8%, chegando a R$ 4,4 bilhões.

De acordo como chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, o volume geral de concessões no ano até fevereiro, acumulou alta de 13,4%, pouco acima do esperado pelo BC para o ano. Na semana passada, o presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini disse que a tendência para 2014 é de crescimento moderado do crédito, com projeção de alta de 13%, ante os 14,6% verificados em 2013.

O crédito em relação ao PIB se manteve em 55,8%. De acordo com cálculos da autoridade monetária, o indicador atingirá 58% até o fim deste ano. Dividido por tipo de instituição, a expectativa do BC é de que 2014 registre 17% de aumento no estoque de crédito concedido pelos bancos públicos enquanto as instituições financeiras privadas devem aumentar em 10% as suas carteiras de financiamento.

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Fonte: Brasil Econômico – São Paulo/SP – FINANÇAS – 27/03/204

 

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