DCI: Sem imóveis, endividamento das famílias brasileiras recua

SÃO PAULO – Os dados do Banco Central (BC) indicam um aumento explosivo do endividamento das famílias nos últimos oito anos. Apesar disso, o perfil das dívidas contraídas pelas famílias é melhor, segundo especialistas consultados pelo DCI. A principal explicação é que as pessoas têm trocado gastos com aluguel, que não são contabilizados como dívida, por parcelas de financiamento imobiliário.

Em fevereiro de 2005, o endividamento das famílias brasileiras em relação à renda acumulada nos últimos 12 meses foi de 18,77% e em outubro do ano passado, último dado disponível no BC, foi de 45,38%. No mesmo período, quando as dívidas com financiamento imobiliário são retiradas do cálculo, o índice subiu de 15,69% para 30,08%.

Desde outubro de 2009 a diferença no ritmo de crescimento dos índices se acentuou. O endividamento total subiu 10,59 pontos percentuais (p.p.) na comparação com outubro de 2013. No mesmo período o endividamento excluindo o financiamento imobiliário teve alta de 1,28 p.p.

Para o economista da Serasa Experian, Luiz Rabi, os dados mostram que o aumento do endividamento se dá em grande medida pela troca do aluguel pelo financiamento imobiliário. Ainda de acordo com ele, isso ocorreu porque em 2005, o BC alterou regras da chamada alienação fiduciária o que facilitou a retomada do imóvel em caso de inadimplência do tomador.

“Isso deu mais conforto para os bancos, em especial para os privados, entrarem com mais força nessa linha o que aumentou bastante a oferta de crédito. Do lado da demanda, vivemos um período de baixo desemprego e aumento da renda, o que fez com que as famílias tivessem mais condições para contratar crédito”, afirmou Rabi.

O economista da Boa Vista Serviços, Flávio Calife, lembra que apesar do crescimento, a inadimplência do financiamento imobiliário é uma das mais baixas do mercado, 1,8% em novembro do ano passado, segundo dados do BC. Ainda de acordo com ele, isso mostra que o financiamento imobiliário é uma boa linha para o banco e para os tomadores.

“É uma modalidade de longo prazo e pouco arriscada para os bancos. As famílias, por sua vez, pagam juros baixos, deixam de pagar aluguel e passam a ter um imóvel que serve também como investimento”, afirmou. Tanto Flávio quanto Rabi acreditam que a tendência é que o financiamento imobiliário continue crescendo nos próximos anos, e por consequência o endividamento das famílias deve crescer.

Para o presidente do conselho do Provar/FIA, Claudio Felisoni, a migração do aluguel para o financiamento da casa própria concorda que principal responsável pelo crescimento do endividamento, mas ele acrescenta que o crédito para o consumo também cresceu no período.

“Cerca de 30 milhões de pessoas migraram para a classe C nos últimos 10 anos e com isso conseguiram contratar crédito para o consumo de bens duráveis, coisa que tinham dificuldade antes”. “Esse é um processo positivo, mas o problema é manutenção do crescimento do emprego e da renda que depende muito da capacidade de investimentos. Os dados já mostraram uma desaceleração no ritmo do emprego em 2013″, analisou.

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Fonte: DCI – São Paulo/SP – FINANÇAS – 23/01/2014 – Pág.B1

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