Perita ensina técnicas para reconhecimento de falsificações

Ao lado da perita, a gerente administrativa da ARISP, Rosangela de Oliveira Campos, realizou a abertura do curso

Ao lado da perita, a gerente administrativa da ARISP, Rosangela de Oliveira Campos, realizou a abertura do curso

Saber identificar a autenticidade de assinaturas, bem como de documentos, títulos, registros e afins, através de exemplos reais. Verificação realizada com o auxílio das técnicas de grafotécnica e documentoscopia, aplicadas para o dia a dia. Com essas características a Associação dos Registradores de Imóveis de São Paulo (ARISP) promoveu mais uma edição do Curso de Grafotécnica e Documentoscopia, no último dia 16 de maio, em São Paulo.

Com uma dinâmica de apresentação de casos práticos de golpes e fraudes, o curso, ministrado pela perita documentoscópica, Maria Regina Faria Hellmeister, chegou a sua 9ª edição, pode ser considerado uma introdução à carreira de perito de documentos, compreendendo técnicas de identificação de documentos falsos ou adulterados, uma das habilidades, que deve fazer parte do currículo de um profissional de registro de imóveis, para saber lidar, de forma competente, com a rotina do Cartório ou de um Ofício de Registro de Imóveis.

“Ministro esse curso desde 1990 e no começo, o número de casos de fraudes dentro dos Cartórios era muito grande. Tanto na Polícia Técnica quanto trabalhando como perita para a Justiça, eu não passava um mês sem visitar de 1 a 3 Cartórios, em média, e, constatar fraudes, como cartões de assinatura fraudados, escrituras falsas, livros de registro lavados ou com substituição de folhas, entre outros tipos de irregularidades. Hoje, passados quase 20 anos, fico muito contente em verificar que o número de processos e investigações de fraudes , caiu vertiginosamente. O que em parte, acredito que seja, por conta do grande número de profissionais que freqüentaram o curso e hoje conseguem identificar as fraudes muito mais facilmente”, afirma Maria Regina F. Hellmeister.

A perita apontou que com o desenvolvimento do curso, que era ministrado somente em São Paulo, capital, aos poucos as fraudes foram migrando para a Grande São Paulo e regiões afastadas dos grandes centros, sendo necessário então, expandi-lo a nível nacional. Porém, hoje um dos pontos que preocupam, relacionados à falsificação de documentação é a expansão das Certificadoras, empresas que trabalham com a emissão de parâmetros para a assinatura digital.

“As Certificadoras, diferentemente dos Cartórios, onde já há a prática do dia a dia, ou seja, um maior expertise contra os tipos de fraudes e que contam com o cartão de firma, que auxilia na identificação de assinaturas fraudulentas, essas empresas, em sua maioria, contam com funcionários novos, nesse âmbito de documentação. E se, por exemplo, um fraudador apresentar uma identidade falsa, o funcionário da Certificadora não perceber, o fraudador sai lá com um atestado de veracidade do documento, utilizando os dados da pessoa para assinar de forma digital, e, assim, conseguir realizar todo tipo de transação fraudulenta em nome da pessoa. Por isso, que está na lei, que pelo menos dois funcionários da Certificadora são obrigados a ter o curso de Grafotécnica e Documentoscopia para emitir a assinatura digital”.

A questão de práticas não profissionais em Cartórios, bem como a necessidade de inibição de tais ações, foram pontos ressaltados pela perita durante o curso. “Brasileiro tem essa mania de quebra galho.  Em Cartório isso não pode existir. O funcionário tem que ser profissional e separar, até mesmo, as relações de amizade e familiares. Não abrindo exceção nem pra própria mãe. Tem que conferir a documentação, bater assinatura, justamente para que o Cartório se previna da melhor forma possível de ser vítima de fraudadores. Em um Cartório não pode haver favores ou quebra de galhos. Mesmo você sabendo que o João é o João, o identifique na hora de lavrar uma escritura, pegue o documento, confira se ele está assinando como está no cartão arquivado. Porque, eventualmente, esse João pode não ser tão honesto assim e autofalsificar a assinatura dele mesmo, pra amanhã negar que tenha assinado aquele documento. Daí se instala um processo, que já vi acontecer várias vezes, e, o João vai negar que esteve no Cartório e o funcionário afirma que ele estava lá. E se um perito, não tão experiente, pega um caso desse, pode confundir a autofalsificação, com a falsificação”.

Formação de Perito

Por fim, a Dra. Maria Regina Faria Hellmeister frisou, aos interessados em atuar como peritos em documentoscopia, que além de assistirem ao curso é necessário muito estudo e prática do dia a dia para que dominem as técnicas. “Para distribuir meu primeiro cartão na área civil, eu fiquei 10 anos na seção de documentoscopia da Polícia Civil, estudando todo tipo de caso, numa contabilidade de cerca de 15 mil casos, para daí sim partir para trabalhos no Poder Judiciário. E hoje eu vejo que há pessoas ministrando cursos de 2 a 3 horas e dizendo aos participantes que eles sairão formados peritos de documentoscopia. Posso dizer que isso é um absurdo, as pessoas não podem se deixar enganar. Porque para formação de um perito sério, o profissional precisa entrar pra Polícia Técnica, ir pra seção de Documentoscopia e com o tempo, ir adquirindo experiência, acompanhando os casos, sem deixar de lado a atualização constante, ir buscar na literatura e no dia a dia conhecer todo tipo de fraude possível. Eu, com décadas como perita, eu vejo que não há um caso igual ao outro. Pode haver semelhanças, mas sempre há particularidades e sempre surge alguma fraude nova, em que há necessidade de pensarmos em um novo exame, numa nova forma de análise”, conclui.

A Dra Maria Regina, com mais de 20 mil casos no currículo, foi a palestrante do curso promovido pela ARISP

A Dra Maria Regina, com mais de 20 mil casos no currículo, foi a palestrante do curso promovido pela ARISP

Os presentes, ao curso, participaram do curso com perguntas e apontamentos a perita

Os presentes participaram com perguntas e apontamentos a perita

7 Respostas

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  1. geovane
    jun 28, 2009 - 01:56 PM

    gostaria de saber como vai realizar novos curso de grafotenia

    Responder
  2. ELY LEAL
    fev 28, 2013 - 05:43 PM

    Gostaria de fazer o Curso de Grafotécnica, pois minha família é vítima de fraudes com escrituras falsas e estamos sendo lesados.

    Responder
  3. Wellington
    mar 06, 2013 - 09:51 AM

    Parabéns pela reportagem!!

    Gostaria de informações do próximo Curso de Grafotécnica trabalho na área jurídica e há grande interesse em fazer.

    Grato pela atenção.

    Wellington Moraes

    Responder
  4. FERNANDA
    mar 20, 2013 - 03:12 PM

    Boa Tarde!
    Na minha cidade está havendo falsificações no Cartório de Imóveis, como faço para denunciar?
    Aguardo retorno.

    Responder
    • Imprensa ARISP
      Imprensa ARISP
      mar 25, 2013 - 05:51 PM

      Olá senhora Fernanda!
      Qualquer suspeita de irregularidades devem ser denunciadas à Corregedoria Geral da Justiça do Estado.

      Responder
  5. marinalva martins
    mai 15, 2014 - 03:22 PM

    Olá eu quero fazer esse curso, já teriam outra data agendada? grata Marinalva

    Responder
    • Imprensa ARISP
      Imprensa ARISP
      mai 15, 2014 - 04:09 PM

      Boa tarde Sra. Marinalva!
      Todos os cursos realizados pela ARISP estão disponíveis no site da UniRegistral (www.uniregistral.com.br). Ainda não há previsão para a realização de um outro curso como este, contudo a senhora pode acompanhar as outras opções disponíveis na referida página.

      Responder

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