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Setor imobiliário quer virar o jogo no semestre

No primeiro tempo do jogo – entre janeiro e maio deste ano – o mercado imobiliário perdeu de goleada. As vendas despencaram 41,4% sobre o mesmo intervalo de 2013 e os lançamentos caíram 14%. Para segundo tempo – a partir de agosto – os analistas apostam em uma grande virada. A derrota nos primeiros cinco meses é atribuída ao carnaval em março, a mudança no calendário das férias escolares e à Copa do Mundo. A tendência agora é de maior volume de lançamentos e produtos pouco explorados nos últimos anos, como os imóveis de três e quatro dormitórios.

O aumento na oferta de crédito será fator preponderante para mudar o jogo. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), não faltará recurso para o financiamento imobiliário. Os desembolsos de financiamento imobiliário com recursos da poupança encerraram o primeiro semestre com R$ 53,1 bilhões concedidos, elevação de 7% na comparação com igual período de 2013 e a perspectiva é encerrar 2014 na casa dos R$ 125,2 bilhões. O ano de 2015 não será diferente. A projeção é de aumento no mesmo patamar, ou seja, alta de mais 15%.

O crédito para aquisição de imóveis somou R$ 38,3 bilhões entre janeiro e junho deste ano, com avanço de 8% na comparação anual. Olhando apenas imóveis usados, foram concedidos R$ 23 bilhões no período, queda de 0,07% ante 2013. Já para a construção de imóveis, foram R$ 14,8 bilhões desembolsados no semestre, um crescimento de 4% na mesma comparação.

O Banco Central ressalta que apesar de a caderneta de poupança no primeiro semestre registrar captação líquida de R$ 9,61 bilhões, queda expressiva frente aos R$ 28,27 bilhões captados nos seis primeiros meses de 2013, a fartura na linha de financiamento está garantida. Aliás, o BC trabalha com uma perspectiva de crescimento superior ao previsto pela associação ao estimar elevação de 19%. “A poupança deve seguir como fonte quase exclusiva de recursos para a linha de crédito da casa própria até o fim de 2015″, diz Octávio de Lazari Júnior, presidente da Abecip.

Apesar do crescimento do volume de recursos, a Pesquisa Secovi-SP do Mercado Imobiliário aponta que, nos primeiros cinco meses do ano, as vendas acumuladas de 7.982 unidades foram 41,4% inferiores ao mesmo período de 2013, com 13.628 comercializações. Os lançamentos de 8.947 unidades de janeiro a maio deste ano foram 14% menores diante das 10.409 unidades lançadas no mesmo período do ano passado. Mas a partir de agosto, o mercado tende a aquecer.

Para os analistas de mercado, o segundo semestre, historicamente, é de vendas elevadas. E neste ano, observam, especialmente para os imóveis residenciais, não faltará dinheiro, não houve queda na renda das famílias nem subiram os índices de desemprego. “A inadimplência nessa linha de credito é a mais baixa de todo mercado, ou seja, 1,2%”, informa Lazari Júnior. “Quem mais demanda financiamento são pessoas com idade de 35 anos a 45 anos, sendo que a maior parte está comprando seu primeiro imóvel. Em média, financiam, no máximo, 65% do valor do imóvel e 99,2% dos financiamentos são para moradia própria e o restante são investidores”, detalha.

O crédito imobiliário representa hoje 8% do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil e, embora crescente, ainda é pequeno. No Chile, o mercado imobiliário representa 20% do PIB. “Acreditamos que o Brasil continuará nesse movimento de crescimento por muitos anos, chegando entre 15% e 20% do PIB”, afirma Bruno Gama, diretor geral da CrediPronto, financeira da Lopes. De acordo com Gama, entre 60% e 70% das transações na Lopes são financiadas pela CrediPronto. “Para o próximo ano prevemos um aumento na linha de financiamento entre 10% e 15%”, diz.

“Os novos projetos estão se concentrando em imóveis de três e quatro dormitórios e já começam neste segundo semestre, na região Sul de São Paulo. A demanda é pela qualidade”, afirma Mirella Parpinelle, diretora geral de atendimento da Lopes. Fernando Sita, diretor geral de terceiros da Coelho da Fonseca, afirma que as vendas no primeiro semestre ficaram 20% abaixo da estimativa, mas prevê um segundo semestre com excelente recuperação. “Imagino que devemos alcançar o mesmo faturamento de 2013, que já foi muito bom”, prevê.

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Fonte: Valor Econômico – São Paulo/SP – ESPECIAL CRÉDITO – 08/08/2014

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