Valor Econômico: Mercado vive início de febre com os fundos imobiliários

Em meio a um mercado fraco em estreias de companhias abertas na bolsa, uma operação atípica para o segmento de fundos imobiliários, feita pelo Banco do Brasil no fim do ano, fez o mercado lembrar de alguns acontecimentos que marcaram o período do boom dos IPOs (ofertas públicas iniciais de ações) em 2006/07. A oferta do BB teve tamanho e rentabilidade muito maiores do que a média que vinha sendo oferecida. Os investidores reservaram mais cotas do que de fato desejavam, certos de que uma forte demanda pelos papéis levaria a um corte nos pedidos. Reservaram mais para tentar ficar com o que de fato gostariam. Finalizada a colocação, muitos venderam suas cotas logo no dia da estreia na bolsa, lembrando os “flippers” – apelido criado na época da febre dos IPOs.

Em menor grau, o mercado identifica que essas movimentações têm se repetido em várias distribuições. Na oferta do BB, que somou R$ 1,5 bilhão, os investidores de varejo receberam só 10% do que reservaram. Na sequência, o Santander também realizou a oferta de um fundo que reunia suas agências, no valor de R$ 401 milhões, e o corte ficou em 13%. Em colocações menores, também em 2012, como o XP Gaia Lote 1, de R$ 67 milhões, o rateio foi de 5,49%.

Especialistas creditam esse comportamento à fase atual desse segmento, em que o mercado começa a se expandir. Pelas características dos fundos imobiliários, não esperam que esses produtos possam ser alvo de grandes especulações – o valor da cota é fixo e não definido a partir do interesse dos investidores, como nos IPOs. Mas não descartam que alguns fundos lançados hoje possam não manter rentabilidade tão atrativa. Os produtos têm sido favorecidos por uma combinação de aprimoramento regulatório e cenário de juro em queda e inflação em alta. Se os juros, como se espera, voltarem a subir, o rendimento das cotas tende a cair.

A operação do BB atraiu o pequeno investidor e contribuiu para aumentar em cerca de 65% o total de pessoas – 100 mil – que aplicam nesses fundos. A atratividade ao varejo já faz com que a Anbima estude medidas para classificar esses fundos de forma que o investidor consiga identificar os riscos de cada um deles. Em março, cem fundos listados na bolsa, em seu conjunto, valiam no mercado R$ 29,3 bilhões e os lançamentos de 2012 respondem por mais da metade desse total.

Fonte: Valor Econômico

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